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quinta-feira, 27 de março de 2008

Vocábulos locais

“Carocha” – Pedaço de pão
“Cibinho” – Bocadinho
“Chicha” – Carne
“Cucho” – Cão
“Dixo” – Disse
“Esqueiro” – Sequeiro
“Fai” – Faz
“Fintar” – Acreditar
“Malga” – Tijela
“Pinchar” – Entornar
“Pita” – Galinha
“Alombar” – Apanhar tareia
“Esfoura” - Diarreia
“Âmbrea” – Fome
“Catancho” - Carago
“Arrear” – Bater
“Cochino” - Porco
"Badil” – Pá
“Embarrar” - Pendurar
“Marcha” – Enxuta o cão
“Bentas” – Cara
“Besga” – Bebedeira
“Penca” - Nariz
"Bolina” – Força
“Canavelho” – Fecho do cancelo
“Bojarda” – Traque
“Aldrabe” – Fecho de ferro

Recolha feita por Mário Morais
http://mariocd.com.sapo.pt/

Origem histórica de Lamas

Lamas de Podence e a sua origem histórica.
Como quase sempre sucede com todas as localidades também Lamas tem a sua lenda de origem. Segundo consta e ao que parece, existiu em tempos um nobre fidalgo oriundo de França, chamado D. Pudence, que como tantos outros, no tempo das cruzadas, vagueou pelo Norte de Portugal. Gostando do local assoalheiro e das terras plenas e prometedoras à sua volta, - hoje pertencentes às freguesias de Lamas e Podence, - decidiu ficar por ai, rodeando-se de tudo o que precisava para poder fazer vida.Assim surgiram as terras de D. Pudence que, como é lógico, deram origem ao nome da vizinha freguesia de Podence.Dos muitos criados que teve destacou-se um que, pelos seus méritos, lealdade e bons serviços prestados, mereceu a confiança e simpatia do seu amo, que lhe ofertou, como prova de amizade e reconhecimento, uma parcela de terreno conhecida na altura por Lama de D. Pudence.Esta Lama era constituida por terras fundas, planas e lamacentas, onde havia grandes lameiros e corria água com abundância.Instalando-se ai, o criado e a sua família foram pouco a pouco aumentando os seus bens e as suas gentes, dando origem ao aglomerado Lamas de Pudence, que mais tarde e com o decorrer dos tempos, foi aumentando progressivamente, passando a denominar-se Lamas de Podence, o nome actual da localidade.É de salientar que o nome da localidade de Lamas de Podence não lhe advém da aldeia vizinha de Podence, mas que tanto como outra freguesia, tiveram a sua origem a partir do nome do nobre fidalgo Francês D. Pudence.Contudo os habitantes de Lamas sempre se debateram energicamente e têm vindo a impor-se para que a sua freguesia seja conhecida apenas por Lamas e não por Lamas de Podence, seu nome toponímico. Actualmente o nome da Aldeia é Lamas (ver diário da República).
Lamas pertenceu em tempos ao concelho dos Cortiços onde havia correios e estava instalada a sede do concelho.Só em 31 de Dezembro de 1853 passou a fazer parte do concelho de Macedo de Cavaleiros. Estava esta povoação ligada à comarca por caminhos tortuosos e estreitos, por onde passavam também as pessoas das aldeias da serra; ponto de passagem obrigatório, pois era o caminho mais curto e directo. Ainda se pode ver à entrada de Lamas, esse caminho antigo, que hoje tem o nome de canelha, com mais de 4 metros de profundidade devido ao desgaste pelo uso e à erosão provocada pelas águas das chuvas. Este trajecto era feito a pé, a cavalo, em carroças e carros de bois. Posteriormente a D. Pudence surgiu outro nobre cavaleiro que em acção de graças resolveu mandar construir num outeiro a Oeste da aldeia, uma ermida em honra de Santa Bárbara, advogada contra o mau tempo e trovoadas.Esta ermida, no tempo dos Marianos, foi transferida mais para o alto do monte, sendo financiada a sua construção, em cumprimento de uma promessa, por 4 marinheiros naufragados. A esta capela deram o nome de Nossa Senhora do Campo, protectora dos campos e lavradores.
Continua no entanto nesta capela, a imagem de Santa Bárbara com a qual o antigo ermitão pedia esmola pelas aldeias circunvizinhas e andava com ela à volta da capela tocando também o sino para afastar grandes trovoadas que ameaçavam a localidade.A poente da capela pode-se observar o Monte do Facho, assim chamado, por nele existir um facho enterrado, procurado por muitos e nunca ter sido encontrado.Além dos nobres fidalgos já referidos, outros beneméritos surgiram em Lamas, doando a todas as pessoas da localidade, uma boa parcela de terreno na Queitada, conhecida por Sortes. E porquê Sortes?...Porque na verdade esse terreno é dividido e sorteado de quatro em quatro anos por todos os casais existentes na aldeia. Qualquer pessoa que case ou vá residir para Lamas, pode ter certo, que nas próximas partilhas desses terrenos, terá lá a sua parcela, a sua pequena Sorte, que cultivará a seu gosto e belo prazer.
Recolha feita por Mário Morais
http://mariocd.com.sapo.pt/

Tradições

TRADIÇÕES VIVAS

- Felizmente ainda hoje em Lamas se pode dizer que se cumpre alguma da tradição que caracterizou esta aldeia e tambem os seus antepassados.
Delas destaco as seguintes:
Festa da Nossa Senhora do Campo, no dia 25 de Março ( este dia de Festa pode variar, consoante as disponibilidades )
Festa de São Sebastião, no dia 21 de Janeiro
Festa de Nossa Senhora da Assunção, no dia 15 de Agosto, em honra da padroeira da localidade ( é a chamada Festa do Verão ou Festa dos emigrantes )
A grande e monumental fogueira do Natal e a arrematação do « charolo » ou « roscas ». Distribuição do Pão Bento ( Missa e carolo ), no dia 26 de Dezembro, dia de Santo Estevão
O Carnaval com as suas contradanças, « casamentos » e « caçadas »
A Páscoa com a tradicional Benção das casas pelo Pároco da aldeia, o folar e o « jogo do panelo »
Vários cantares no decorrer dos trabalhos do campo, tais como: a apanha da azeitona, da castanha, do morango e de outras frutas.
Cantares dos Reis ( Janeiras )
O jogo do Fito, do Calhau e da Relha
O jogo do Chino, Sueca, Chincalhão e bisca
A Reza das ladaínhas, destinada a afastar as pragas das culturas
Reza à entrada da família enlutada, após a Missa de Saímento
É de destacar tambem a Banda 25 de Março ( foto de cima ), com aproximadamente 40 músicos, que desde 1911, com pequenas interrupções pelo meio, tem vindo a abrilhantar festas, romarias e convivios em toda a região.
Existe também um clube de futebol ( Centro Cultural e Recreativo de Lamas ), que participa no campeonato distrital da Associação de futebol de Bragança.
Recolha feita por Mário Morais
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Usos e Costumes da Aldeia de Lamas

USOS E COSTUMES


“Era uso, na localidade, quando começavam as castanhas, dar umas pancadas no tronco de uma árvore ( mais propriamente um Olmo que ainda existe ) para dar conhecimento aos pastores que já não podiam andar debaixo dos castanheiros com os rebanhos.”
“Quinta e Sexta-Feira Santas não se tocava no sino e então usavam o toque duma matraca e andavam pelo povo para chamar a gente para rezar a Via-Sacra.”
“Nos funerais era uso os familiares do morto, darem de comer às pessoas que vinham de longe ao funeral.”
“Quinta-feira antes do Carnaval, é o dia das Comadres. Antigamente, nessedia, juntavam-se num forno e ai faziam uma merenda, jogavam, cantavam e divertiam-se em sã camaradagem.”
“O toque do sino tambem foi usado durante muito tempo para chamar as crianças à escola. Davam três badaladas e só depois de ouvirem o sino é que as crianças saiam de casa e iam para a escola.
Tambem houve tempos em que tocavam às almas, às 9 horas da noite. Quando se ouvia o sino em toque dolente, toda a gente em casa rezava pelas almas do purgatório.”
“Ao toque das Avé-Marias, toda as crianças que andassem ainda na rua a brincar ou a fazer qualquer coisa, tinham que ir para casa, pois se assim não acontecesse, já sabiam que eram castigadas, por isso tudo corria para casa. Toda a família estava em casa a essa hora.”
Recolha feita por Mário Morais
http://mariocd.com.sapo.pt/