quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

A nossa Infância....


De acordo com os reguladores, burocratas e psicólogos de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, visto que na nossa infância se passaram coisas que hoje em dia são incompreensíveis, a saber:
• Os nossos berços eram pintados com cores bonitas,em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
• Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas 'à prova de crianças', ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.
• Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes nem luvas nem joelheiras.
• Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar á frente era um bónus.
• Bebíamos água da correia do jardim, da “augueira” ou do riacho, e não da garrafa e sabia bem.
• Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosas e sumóis (por vezes fora de validade) com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.
• Partilhávamos garrafas, copos e garfos com os amigos e nunca morremos disso.
• Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de cairmos nas silvas ou experimentar o alcatrão aprendíamos.
• Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
• Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
• Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos á rua.
• Jogávamos ao elástico, “à macaca”, “à arranca cebada”, “ao está-queto” “ ao esconde esconde”, “ á bilharda”, “aos policias e ladrões”, “ao peão”, “ aos cowbois e indíos”, “aos finocos nos palheiros” e claro à bola que era o diversão preferida dos rapazes na versão “balizas pequenas” ou “balizas grandes com guarda-redes”.
• Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.
• Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.
• Batíamos ás portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
• Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola; Não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.
• Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem. Eles estavam do lado da lei. Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
• Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

A nossa Escola Primária

Recordações da nossa Escola

Para quem nasceu nos anos sessenta, setenta e oitenta a escola primária representa muito mais do que um simples edíficio onde se aprendia apenas a ler e a escrever. Para nós lamacenses, a nossa escola ficará para sempre na nossa memória devido às diversas peripécias que ali se passavam diariamente.


As nossas professoras, Dona Assunção e Dona Helena, eram as pessoas mais respeitadas da aldeia, logo a seguir ao Senhor Padre Quina. As suas afirmações e as suas vontades eram autênticas ordens que nenhum de nós se atrevia a desafiar, sob pena de ficar sem intervalo, ou então com as mãos bem quentes, depois de levar dez, quinze, vinte eu sei lá... reguadas ( era de madeira, espalmada e estava cheia de caruncho). Digam o que disserem e pode vir ter comigo o mais pintado argumentar o contrário, que eu demonstro-lhe sem qualquer dificuldade que, naquele tempo, os bons resultados conseguidos pelos alunos, tinham sempre a sua origem num clima de terror e medo incutido pelos professores! Quem não aprendia a bem, aprendia à bruta! A régua, como uma verdadeira mestra, impunha a ordem! O professor até podia ser um qualquer! A régua era quem verdadeiramente mandava! A confirmar esta triste verdade foi o meu castigo, aplicado sem dó, sem piedade! Dez reguadas! Tantas, quantos os erros! Cinco em cada mão, bem repuxadas! Ainda me lembro como se fosse hoje. Não sendo velho, ainda sou do tempo em que os professores castigavam os alunos com reguadas e por vezes davam uns retoques no cabelo com aquela vara de marmeleiro. Os pais não se queixavam e até agradeciam as lições de autoridade que os eles iam dando na sua ausência. Naquele tempo, os alunos respeitavam tanto os professores como os seus próprios pais e a educação era levada a sério por todos. Foi neste clima de alegria, rigidez, trabalho e exigência que crescemos e aprendemos e é por isso que damos muito valor à nossa escola primária. Vale a pena ver algumas fotos de um dos locais mais emblemáticos na nossa aldeia. Depois de ver as fotos e ler o texto, a nostalgia apodera-se de nós.


Saudações lamacenses.

Fotos da nossa Escola Primária





domingo, 27 de Dezembro de 2009

Fogueira de Natal 2009


Um dos rituais que perdura até aos nossos dias, principalmente em Trás-os-Montes, Alto Douro, Beira Alta e Beira Baixa,sendo menor ou mesmo nula a sua tradição a sul, diz respeito às «fogueiras do Menino», «fogueiras da Consoada» ou «fogueiras do galo».
Sob a influência da Igreja, a fogueira profana de adoração solar dos Romanos passou a ser cristianizada – considerado o «verdadeiro símbolo do Sol que vai nascer, para iluminar todo o homem que vem ao Mundo».
Costume que se processa quase sempre durante a noite, cabe ainda hoje aos rapazes a tarefa do roubo ritual do «madeiro», do «cepo» ou do «canhoto» .
O transporte, conforme a tradição, continua a ser feito, por vezes, em carro roubado ou utilizado sem autorização dos respectivos donos, empurrados pelos próprios rapazes.

Ateadas ao entardecer da véspera de Natal, as fogueiras ardem, geralmente, até ao dia de Reis, perto do adro das igrejas, segundo o povo «para aquecer o Menino», ficando todos os habitantes do lugar encarregues de manter o lume sempre aceso.
Em muitas aldeias e lugares do nosso País, as populações continuam a juntar-se ao redor das «fogueiras do Menino» para cantar, dançar e comer filhoses e para arrematar uma rosca, aproveitando o lume da fogueira.

E esta é uma das tradicöes ainda existentes na nossa aldeia.
Um abraço e saudações lamacenses.

Arrematação da "rosca" 2009





terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Fotos da II Encontro da Rapaziada de Lamas





terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

II Encontro da Rapaziada de Lamas

Pois é, o que é bom também acaba....
Realizou-se no passado sábado, na sede do Centro Cultural e Recreativo de Lamas o II encontro da rapaziada de Lamas.
O dia estava frio e chuvoso, mas não impediu que há hora marcada começassem a chegar os amigos de longa data vindos de várias partes do país.
O esforço feito pela comissão organizadora foi muito grande já que o objectivo era ultrapassar o número de inscrições do ano anterior. Apesar de existirem 58 lamacenses confirmados, 11 decidiram roer a corda e por uma razão ou por outra não compareceram, fazendo com que o número de presenças ficasse reduzido a 47, ainda assim um número bastante bom.
Os apertos de mão, os abraços e as expressões como “então como estás? há tanto tempo que não te via” foram uma constante naquela sala que de repente se inundou de uma nostalgia e um carinho como há muito não se via. Depois dos primeiros contactos entre os nativos de Lamas, passou-se a degustação de um saboroso jantar, regado com muito e bom vinho. A alegria e a descontracção em todas as mesas foi a nota dominante onde aqui e ali se ouviam histórias de outros tempos, peripécias e aventuras da nossa adolescência que são intemporais e que nos fazem revivier e recordar uma das melhores fases da nossa vida. Só por estes momentos já valeu a pena ir. Estes encontros, a cada ano que passa tornam-se mais nostálgicos e verdadeiros.
Depois de saboreado o magnífico jantar, foi a vez de assistir ao derbi lisboeta entre o Sporting e o Benfica. Foram 90 minutos de verdadeira euforia clubística, onde em cada jogada que se via eram largadas umas “bocas” dirigidas a sportinguistas, benfiquistas e portistas que no meio desta confusão também lá estavam a torcer, imagino eu, pelo Sporting. Este clima de guerrilha tornou a visualização do jogo numa autêntica algazarra de risos, piadas, brincadeiras etc, mas sem nunca se perder a boa disposição. No fim, o resultado do jogo foi o que menos interessou.
De seguida, as mesas foram-se organizando e começaram as jogatanas de cartas onde a sueca,o chincalhão e a lerpa foram os jogos com mais adesão. Este ambiente de descontracção e convívio culminou com a degustação de um caldo verde com sabor aos bons velhos tempos.

E pronto, esperamos que todos tenham gostado de estar presentes em mais um encontro e que se Deus quiser para o ano cá estaremos mais uma vez, mais velhos, mais capazes, mais experientes, mais nostálgicos, mais saudosistas, enfim preparados para o III encontro da rapazida de Lamas. A todos os que de forma directa ou indirecta contribuíram para a realização deste convívio agradeço do fundo do meu coração.

Saudações lamacenses

Fotos da II Encontro da Rapaziada de Lamas





Fotos da II Encontro da Rapaziada de Lamas





Fotos da II Encontro da Rapaziada de Lamas





segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

VII Feira da Castanha e dos Produtos da Terra 2009

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

VII Feira da Castanha e dos Produtos da Terra 2009

Realizou-se no passado dia 14 e 15 de Novembro a VII Feira da Castanha e outros produtos da Terra na nossa aldeia. Apesar de ser a sétima edição do certame, Lamas acolheu-a pela primeira vez e engalanou-se para a realizar da melhor maneira, visto que é uma forma de promover a aldeia e um dos seus produtos mais valiosos, já designado por ouro de Trás-os-Montes. São Pedro não quis ajudar e o fim de semana foi muito chuvoso principalmente no domingo. Mas como sempre, o povo de Lamas resistiu a tudo e a todos e levou a cabo esta missão da melhor forma.
No sábado às 16:00, ao som dos Bombos de Ala, foi inaugurada a feira da castanha que contou com a presença do Presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Engenheiro Beraldino Pinto e do Senhor Governador Civil, Professor Victor Alves. Os discursos de circustância estiveram de acordo com a iniciativa, mas não posso deixar de realçar a forma entusiasta e contaminante com que o Engenheiro Beraldino Pinto aplicou no momento do seu discurso, sinceramente está de parabéns. Em sentido oposto temos o discurso de Senhor Governador Civil de Bragança que revelou fraca astúcia para o discurso e que, na minha opinião, não tem o dom da palavra, parecendo que estava a fazer um frete...
Depois da abertura foi uma correria louca para ver as várias barracas, muito bem decoradas e apetrechadas, sedentas para receber os forasteiros com euros no bolso....
À noite foi a vez da Banda 25 de Março entrar em cena, neste caso na tenda, para a realização de um brilhante concerto que encheu de orgulho todos os presentes.
O domingo acordou muito frio e chuvoso, e os visitantes tardavam em aparecer para desespero dos expositores que viam os seus produtos permanecerem na barraca. Com o avançar do dia, os forasteiros foram aparecendo trazendo vida e alegria à tenda da feira. Finalmente via mais sorrisos no rosto dos expositores e muitos dos produtos da terra começaram a ser escoados, tais como as alheiras, linguiças, mel, geropiga, castanhas, nozes, figos secos, pão caseiro, folar, etc...
Para compor este quadro magnífico, nada melhor que uma actuação do Rancho Folclórico de Macedo de Cavaleiros que com as suas cantorias e danças tradicionais alegrou o coração de todos os presentes, que o diga o meu pai que após muitos anos de ausência teve o privilégio de actuar mais uma vez junto daqueles que outrora foram seus companheiros.
Para encerrar o certame, a Junta de Freguesia de Lamas ofereceu um lanche a todos os presentes, culminando com a realização de um magusto comunitário.
Penso que foram dois dias de muito convívio, divulgação e aprendizagem e espero sinceramente que acções deste tipo se voltem a realizar o mais breve possível na nossa aldeia. Desde já endereço os meus parabéns à Junta de Freguesia de Lamas e a todos os que de forma directa ou indirecta contribuíram para a sua realização. É também com enorme carinho que partilho com os lamacenses de todo o mundo este fim de semana diferente na nossa aldeia, porque sei que lá no fundo todos eles gostariam também de participar e conviver com todos os seus amigos. Ficam as fotos já que como dizia o poeta, vale mais uma imagem do que mil palavras.

Saudações lamacences.

Fotos da Feira da Castanha





Fotos da Feira da Castanha